Planejamento

Viabilizando o projeto SER Mundi

O projeto “SER Mundi” é fruto de um pensamento comum de mudança de estilo de vida.  Ao invés de sermos escravos dessa desgastante rotina da vida moderna e de postergarmos nossos desejos pessoais, decidimos ser os “senhores de nós mesmos”, nos liberando da correria infindável do dia-a-dia para fazer aquilo que julgamos importante do jeito e no tempo que quisermos .

E para que a idéia seja sustentável no longo prazo é essencial ter um bom planejamento.  A idéia de conviver de uma forma diferenciada não significa uma vida extrema, de abdicação, renúncia ou desconexão total da vida moderna.  Pelo contrário, pretendemos usar todos os benefícios que a modernidade nos oferece sem nos tornarmos reféns dela. Em outras palavras, queremos inverter a regra do jogo, fazendo com que a modernidade passe a trabalhar para a gente

Começamos nosso planejamento partindo da premissa de que nunca devemos gastar mais do que temos ou que podemos gerar. Contrair dívidas significa a perda do direito de escolha e isso é a última coisa que queremos. É o projeto SER Mundi que deve se adequar ao tamanho do nosso orçamento e não o inverso.

Ao longo de 6 meses investimos quase todo nosso escasso tempo livre pesquisando e tendo muitas conversas preparatórias, inclusive com planejadores financeiros.  Como não se tratava apenas de uma viagem de longo prazo, mas de uma mudança de vida, nosso objetivo inicial era contratar um profissional dessa área para nos auxiliar na montagem de todo esse plano. Ao final, nos demos conta que tínhamos em mãos todas as ferramentas necessárias para fazer o planejamento e decidimos seguir adiante sozinhos.

Iniciamos com uma avaliação do quanto o nosso patrimônio poderia gerar de receita mensal.  Decidimos que nosso teto de gasto seria entre 70% a 80% dessa receita mensal, de forma que o valor do patrimônio não se deteriorasse e, também, que formássemos uma reserva para enfrentarmos os imprevistos.  Com isso, se nossa projeção inicial de gastos estiver aquém da realidade ou em casos de eventos não planejados, poderemos readequar nossos planos sem precisar interromper ou abdicar do nosso projeto.

Cumprido esse passo inicial, passamos à próxima etapa e fomos pesquisar em diversos sites de viajantes a média mensal de gastos para termos uma referência para nosso projeto.  Chegamos a conversar pessoalmente com outros casais que já tinham feito viagens nesse estilo e ao final de tanta pesquisa descobrimos que esse valor “referência” depende muito do tipo de viagem de cada um.

Por exemplo, em várias pesquisas que fizemos o combustível do carro aparecia como o principal item de despesas. Mas, dependendo do prazo da viagem e do tempo em que se fica em um determinado lugar, esse valor pode variar bastante.  Percorrer 100mil quilômetros em 5 anos ao invés de 3 ou 1 faz uma enorme diferença no cálculo da média diária.

Outro bom exemplo é a despesa com estadia. Conhecemos viajantes que se hospedaram parte do tempo em hotéis e outros que só dormiam em seus carros.  A despesa de hospedagem geralmente representa o 3º maior gasto no orçamento (perdendo apenas para o combustível do carro e a alimentação) mas dependendo do perfil da viagem esse item do orçamento pode variar significativamente. 

Enfim, em nossas pesquisas, chegamos à conclusão de que uma viagem econômica gira em torno de uns USD50 por dia e uma já mais dispendiosa gira em torno de USD100 diários.

Como estamos estruturando nosso projeto para uma viagem de longo prazo e estamos investindo bem na adaptação interna do Roots e na barraca automotiva, acreditamos que nossa despesa média diária fique mais perto do piso do que do teto.

Aprendemos também em nossas pesquisas que quase todos os viajantes tem o hábito de monitorar as despesas das viagens.  Além de ser um conceito básico que todos os planejadores financeiros recomendam para organização financeira pessoal, para os viajantes isso se torna ainda mais importante. O controle disciplinado das despesas é que irá permitir a continuidade da viagem sem constituição de dívidas.

Em nosso caso, que não se trata apenas de uma viagem, nós desenvolvemos uma planilha um pouco mais completa que, de forma clara e automática, nos ajuda a monitorar os gastos e nos fornece todas as análises que precisamos para fazer a gestão financeira do projeto e planejar a sua continuidade.

Aqui vale o reconhecimento ao Luiz Ferraz, um talentoso estudante de engenharia que inicialmente nos ajudou e construiu a sua primeira versão.  À medida em que fomos adquirindo experiência com a viagem, aprimoramos a planilha para atender o nível de exigência necessário e hoje ela está perfeitamente adequada para nossa demanda de viajantes.

Embora o lado financeiro tenha tomado uma boa parte do nosso planejamento,  ele não foi o único elemento que levamos em consideração antes de tomarmos nossas decisões.  No decorrer de nossas pesquisas e reflexões, outras ações extremamente importantes fizeram fazer parte do planejamento e que, em nossa opinião, não podem ser deixados de lado, tais como:

  • Definição de um objetivo como data de partida
  • Elaboração de um calendário de atividades até a data da partida
  • Participação em cursos preparatórios
  • Decisão dos destinos chaves do roteiro 
  • Adaptação do carro
  • Aquisição de equipamentos complementares
  • Organização de documentação pessoal e do veículo 
  • Contratação de um seguro saúde internacional
  • Definição da forma de transportar ou acessar o dinheiro durante a viagem

Para cada um desses itens fizemos muita pesquisa e discutimos bastante. É claro que estamos falando de planejamento e como nunca tivemos uma experiência parecida, naturalmente boa parte dele vai se mostrar irreal, desnecessário ou inexequível.  Mas, como todo projeto tem que começar por um plano, investimos boa parte do nosso tempo livre tentando nos preparar ao máximo.  Esperamos com isso que os imprevistos que surgirem no caminho possam ser enfrentados da melhor forma possível mas as dificuldades serão muito benvindas e, ainda mais, o aprendizado com as adversidades que ela traz.

Em Janeiro de 2019 conversamos com nosso amigo Ricardo Pocholo sobre nosso planejamento prévio. Ele fez um vídeo e o divulgou no seu canal de Youtube, Serial Trippers. Quem quiser um pouco mais de detalhes sobre nosso planejamento e algumas informações sobre a primeira etapa da viagem, pode assistir nosso bate-papo pelo link abaixo.

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